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Ana Carolina no Centro de Eventos do Ribeirão Shopping

A cantora e compositora Ana Carolina se apresentou em Ribeirão Preto no último sábado (29).

A apresentação ocorreu no Centro de Eventos do Ribeirão Shopping (@centrodeeventosrbs), que atualmente é o melhor espaço para shows da cidade e com Ana Carolina não foi diferente. O tamanho do palco, a visão da plateia, o jogo de luzes, tudo em perfeita harmonia. A Virazóm (@virazom), empresa que traz os shows para o Centro de Eventos, também está de parabéns pela seleção dos artistas que ali se apresentam. Só para vocês terem uma ideia, nos próximos meses teremos Milton Nascimento e Ney Matogrosso.


O show intitulado “Fogueira em Alto Mar” teve como base o lançamento de um EP com seis músicas que a cantora acabou de lançar. Todas as canções desse novo trabalho foram apresentadas entremeadas com seus grandes sucessos e regravações.

Sendo assim é possível dividir o show em três momentos distintos e perfeitamente identificáveis.

REGRAVAÇÕES


A cantora já abriu o seu show com “Namoradinha de um amigo meu”, um sucesso de Roberto Carlos de 1966 e emendou com “Agora só falta você” (da Rita Lee e regravado pela Maria Rita) e “Sinais de Fogo” (que foi composta por ela, mas que ficou conhecida na voz da Preta Gil).

Considerado um hino LGBT atemporal, a música “Toda Forma de Amor” de Lulu Santos também teve uma versão cantada por Ana. “Meu Bem Querer” (Djavan), “Fogueira” (Ângela Ro Ro), “Mulheres” (Martinho da Vila) também receberam versões da cantora.


Todas essas músicas foram apresentadas sem nenhuma atualização relevante e pareceram deslocadas no repertório de Ana Carolina. Mas nada se compara com a versão constrangedora de “Back to Black” da Amy Winehouse. Traduzida para o português, a canção foi batizada de “Eu no Breu” e foi um dos pontos baixos do show. Por muito menos, Paula Fernandes e seu “Juntos e Shallow Now” foram massacradas.

Ana Carolina está querendo se adaptar aos novos tempos e isso ficou evidente na escolha de algumas canções. “Brasil” (Cazuza), que encerrou o show, serve como reflexão para um ponto importante de todo o roteiro musical. Parece que nessa sanha de se atualizar, a cantora atirou para todas as direções e isso enfraquece sua personalidade artística, que já era muito bem definida.


O que o público que ouve, curte e acompanha a carreira dela espera de um show seu?


Essa reflexão nos leva para a segunda parte da apresentação...


NOVAS CANÇÕES


Das seis novas canções, a única digna de nota é a que dá título ao EP e show. “Fogueira em alto mar” privilegia tudo aquilo que Ana Carolina tem de melhor; voz afinada e uma bonita e singela composição romântica. As demais canções do novo EP soaram anêmicas ou deslocadas do tempo e espaço artístico dela.

IMPRESSÕES FINAIS


Surgida no final dos anos 1999, Ana Carolina é um artista que tem seu lugar na história da Música Popular Brasileira, mas parece estar meio perdida. Não pertence ao panteão de cantoras como Bethânia e Gal Costa e nem se conecta com as atuais cantoras assumidamente lésbicas e suas músicas que refletem sobre feminismo e os males do capitalismo e patriarcado. Ela não está nem lá, nem cá e isso prejudica sua apresentação. Músicas como “Mulheres” gravada por Martinho da Vila hoje soam problemáticas e machistas, assim como “1296 Mulheres”, que tenta ser engraçadinha, mas como discurso não cola mais.


Isso tudo faz do show irregular. Ora a gente se pega se descabelando, chorando e cantando junto, ora fazendo aquelas caras e bocas da atriz Lilia Cabral acompanhando a performance equivocada da cantora Claudia Leite num especial da Globo. Precisa ajustar isso daí, talkey?


Créditos: Todas as fotografias são da nossa fotógrafa Lisa Cristine (@lisaccristine).

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